[Cris-brasil] opiniao de nossos especialistas

Carlos Afonso ca em rits.org.br
Quarta Março 8 10:48:53 BRT 2006


Compas, os cientistas Luiz Fernando Gomes Soares e Guido Lemos de Souza 
Filho, que coordenam as equipes brasileiras de desenvolvimento dos 
padrões de software para o SBTVD, há alguns dias divulgaram o texto 
abaixo, que tomo a liberdade de reproduzir, abaixo, em nossa lista.

A definição do padrão não significa o fim do mundo, desde que no 
conjunto do sistema o Brasil consiga inserir as funcionalidades 
adequadas em relação às quais tenhamos consenso.

[]s fraternos

--c.a.

Está chegando o dia da definição do SBTVD.

Até agora estivemos "oficialmente" calados frente ao baixo nível das 
argumentações veiculadas na imprensa e a forma como o assunto vem sendo 
encaminhado ou decidido pelo governo.

Agora não podemos mais nos calar e achamos importante nos manifestarmos.

Na confusão que virou a definição do SBTVD, onde vemos encoberta pelo 
manto da definição de um padrão, a verdadeira grande questão que é a 
canalização e o uso dos canais,  vemos também encoberta a discussão de 
areas em que o Brasil pode de fato alavancar suas indústrias e criar um 
diferencial de qualidade, que é o caso do software e da geração de 
conteúdo, áreas que estão intimamente ligadas. Enganam-se aqueles que 
pensam que a adoção de um padrão estrangeiro não afetará o 
desenvolvimento de conteúdos. O não domínio das ferramentas certamente 
acarretará no não domínio de seus usos.

Recentemente, a  ASSESPRO e SOFTEX enviaram um manifesto oficial, 
reclamando e contestando a forma como o software foi e vem sendo tratado 
dentro das discussões do SBTVD.

Queremos aqui recordar um pouco da história passada e chamar a atenção 
para o fato da Comunidade de Computação só ter sido chamada para 
participar do processo de definição do SBTVD, depois de, durante o 
congresso da SBC em Campinas, praticamente invadirmos a reunião 
convocada pela SBT/CPqD, e reinvidicarmos nossa participação. Esta só 
foi de fato viabilizada graças ao fortuito de, na mesma época, ocorrer 
uma troca no ministério das comunicações que levou o Prof. Antônio Mauro 
Barbosa de Oliveira a ser nomeado secretário nacional de telecomunicações.

Pois bem, fundamental em toda essa questão do software está a definição 
do middleware para o SBTVD.

Os consórcios MAESTRO e FLEXTV, dos quais somos coordenadores, tomaram 
conhecimento do relatório do CPqD, por meio da Internet, e não podem 
concordar com a forma como o software, em particular o middleware, foi 
avaliado. Pretendemos entregar, na segunda feira, um relatório 
questionando todos os erros de avaliação cometidos (são muitos e em 
conceitos básicos de computação), mas podemos lhes adiantar a introdução 
de nosso documento que segue em anexo.

Preocupa-nos o fato da avaliação do CPqD não apenas pesar na definição 
do governo, mas também ser usada por aqueles que acham que não devemos 
incluir NADA de nacional a algum padrão importado. "Correm boatos que a 
decisão já foi tomada e escolhido o padrão, estrangeiro em sua 
totalidade". Entre outras bobagens temos ouvido argumentos colonialistas 
do tipo: "não podemos perder o poder de barganha em relação a outros 
produtos importantes para o país no mercado internacional, como frango, 
frutas, etc" , ditos por importante executivo de uma de nossas 
operadoras de telefonia, influentes na decisão.

Caros colegas de Conselho, certos de suas atenções, esperamos que essas 
observações sejam levadas ao conhecimento da sociedade, do governo, e 
daqueles que têm a enorme responsabilidade de definir o SBTVD e de não 
deixar mais uma vez sermos tratados como colônia. Se a opção do país for 
pela adoção de uma solução não nacional, pelo menos que seja pelos 
motivos corretos. Daí nossa responsabilidade de vir a público denunciar 
o que não concordamos.

Atenciosamente,

Luiz Fernando Gomes Soares e Guido Lemos de Souza Filho
(coordenadores dos consórcios de middleware para o SBTVD)



Adilson Cabral escreveu:
> Para governo, opção trará mais vantagens, com investimentos, transferência
> tecnológica e maior prazo de adaptação*
> 
> *Lula escolhe padrão japonês para TV digital *
> 
> *KENNEDY ALENCAR*
> *HUMBERTO MEDINA*
> DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
> 
> O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que o Brasil adotará o padrão
> de TV digital japonês (ISDB), segundo apurou a Folha. O próprio Lula deve
> anunciar a decisão depois de amanhã.
> Após uma dura batalha de bastidores entre os defensores dos padrões japonês,
> americano (ATSC) e europeu (DVB), o presidente optou pelo primeiro por
> avaliar que essa proposta trará mais vantagens ao Brasil e às grandes
> empresas de comunicação do país -entre as quais as Organizações Globo.
> Os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Hélio Costa (Comunicações) já
> negociam um pacote de investimentos em troca da decisão. Houve uma reunião
> ontem na Casa Civil com autoridades e empresários japoneses.
> (AGUARDAMOS INFORMES DA MINISTRA POR PARTE DE QUEM FOI À REUNIÃO HOJE NA CASA CIVIL)
> 
> O governo já obteve do Japão o compromisso de que cerca de US$ 2 bilhões
> serão investidos para a fabricação de semicondutores (componente usado na
> fabricação de transístores e microprocessadores, por exemplo) e TVs de
> plasma. A decisão pelo padrão japonês foi tomada na semana passada por Lula,
> que orientou seus ministros a negociar com o Japão as contrapartidas para
> que o anúncio produza ganho político no ano eleitoral.
> Além do compromisso de investimentos e da transferência de tecnologia, Lula
> disse a auxiliares que pesou na decisão o padrão japonês permitir maior
> tempo de adaptação à era digital dos atuais aparelhos de sinal analógico.
> (COMO ASSIM? OS ATUAIS APARELHOS VÃO SE ADAPTAR???)
> 
> Ou seja, enquanto os americanos e os europeus previam uma fase de transição
> mais rápida, os japoneses se dispuseram a tornar esse período mais longo num
> país pobre em que a TV está instalada em mais de 90% dos domicílios.
> Uma fase de transição mais longa resultará em menor custo ao consumidor, que
> terá mais tempo para continuar com seu televisor atual sem precisar comprar
> um decodificador do sinal digital ou um aparelho novo já com o equipamento.
> (NÃO CONTRADIZ A INFORMAÇÃO ANTERIOR???)
> 
> O presidente também levou em conta o lobby das grandes emissoras de TV do
> Brasil a favor do padrão japonês. Não seria inteligente do ponto de vista
> político, avalia Lula, contrariar essas empresas no ano em que disputará a
> reeleição.
> (É IRRESPONSÁVEL COLOCAR ESSA INFORMAÇÃO ASSIM SEM MAIS COMENTÁRIOS!)
> 
> Mais: as grandes TVs do Brasil dizem que o padrão japonês
> permitirá maior controle nacional sobre o conteúdo transmitido. Como o
> Brasil é um país com uma indústria de entretenimento televisivo de ponta, o
> governo avalia que é uma decisão estratégica defender os interesses das
> companhias nacionais.
> (MAS...QUAIS COMPANHIAS MESMO, SR MINISTRO???)
> 
> Parte do PT chegou a fazer pressão a favor do padrão europeu, espécie de
> segundo colocado nos critérios do governo. Apesar desse lobby e do interesse
> das operadoras de telefonia no padrão europeu, que permitiria sua entrada na
> área de conteúdo, o governo não conseguiu dos europeus as contrapartidas
> oferecidas pelos japoneses. Nas discussões internas, Hélio Costa,
> ex-repórter da Globo, argumentou que o padrão japonês tinha também maior
> qualidade técnica e que, do ponto de vista tecnológico, seria superior ao
> americano e ao europeu.
> O padrão de TV digital americano foi o último colocado na avaliação do
> governo. Os EUA e as empresas americanas se recusaram a fazer transferência
> de tecnologia e a instalar fábricas no país. Hoje, as empresas que produzem
> TV no Brasil são praticamente montadoras. A maioria dos componentes de alta
> tecnologia é importada. No acordo com os japoneses, parcela desses
> componentes seria fabricada no Brasil.
> (SOCIEDADE CIVIL PASSA AO LARGO, NÃO??? DÁ PRA REVERTER ATÉ SEXTA?)
> 
> 
> ------------------------------------------------------------------------
> 
> _______________________________________________
> Cris-brasil mailing list
> Cris-brasil em listas.rits.org.br
> http://listas.rits.org.br/mailman/listinfo/cris-brasil
> Visite o site da <a href="http://www.crisbrasil.org.br">CRIS Brasil</a>
> 
> 
> ------------------------------------------------------------------------
> 
> No virus found in this incoming message.
> Checked by AVG Free Edition.
> Version: 7.1.375 / Virus Database: 268.2.0/276 - Release Date: 7/3/2006

-- 

++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Carlos Afonso
diretor de planejamento
Rede de Informações para o Terceiro Setor - Rits
Rua Guilhermina Guinle, 272, 6º andar - Botafogo
Rio de Janeiro RJ - Brasil         CEP 22270-060
tel +55-21-2527-5494        fax +55-21-2527-5460
ca em rits.org.br            http://www.rits.org.br
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++



Mais detalhes sobre a lista de discussão Cris-brasil